A Doutrina Espírita foi, e continua sendo, um amparo, um caminho de compreensão da vida
Nosso entrevistado de hoje é Cauê Sanchez, formado em Pedagogia e pós-graduado em Análise do Comportamento Aplicado (ABA), e mantém sua trajetória acadêmica ligada ao cuidado com pessoas, aos processos educativos e ao desenvolvimento humano.
Natural de São Paulo-SP, mudou-se para Guaxupé-MG, onde reside atualmente, por um motivo profundamente afetivo e espiritual, atendendo a um desejo de sua bisavó, que queria passar o restante de sua encarnação na cidade onde nasceu. E ali mantém ativo o projeto Jovens com Yvonne. Nas lides espíritas, atuou como evangelizador da infância e mocidade, moldando profundamente sua visão sobre educação espiritual. Atualmente está como Coordenador pedagógico de dois projetos, o Jovens com Yvonne e o Juventude Espírita.
Como se tornou espírita e há quanto tempo?
Meu contato mais profundo com o Espiritismo aconteceu aos 15 anos, após o desencarne da minha mãe. Hoje, aos 33 anos, posso dizer que a Doutrina Espírita foi — e continua sendo — um amparo, um caminho de compreensão da vida, da dor e do amor que permanece.
Houve algum acontecimento especial que propiciou este contato inicial?
Sim. O amor pela divulgação espírita foi o que me moveu desde o início. Encontrei no Espiritismo respostas que não anulavam a dor, mas a acolhiam com sentido, esperança e responsabilidade espiritual.
Qual a reação de sua família ante sua adesão à Doutrina?
No começo houve espanto, mas logo veio uma aceitação muito bonita. Minha família já tinha alguma vivência espiritual, como o hábito de tomar passes, o que facilitou esse acolhimento respeitoso.
De onde vem seu interesse pela evangelização?
Vem do meu amor pela educação. Educar, para mim, é um ato de cuidado, de escuta e de construção conjunta. Evangelizar é educar o espírito para a vida, sem imposições, mas com afeto, diálogo e presença.
Como surgiu a ideia de criar o Jovens com Yvonne?
O projeto nasceu durante a pandemia, a partir de encontros online entre mocidades espíritas. Em um momento de tanto isolamento, sentimos a necessidade de criar pontes, espaços de troca, estudo e afeto. Assim surgiu o Jovens com Yvonne, inspirado na memória e no exemplo de Yvonne Pereira, símbolo de resistência, amor e testemunho espírita.
De que forma e o que era feito para manter o projeto em funcionamento?
Sempre buscamos um formato educativo e leve, trazendo a memória de Yvonne com diferentes linguagens, estéticas e abordagens que dialogassem com o universo jovem. A ideia nunca foi engessar, mas atualizar sem perder a essência.
No último ano soubemos que o Jovens com Yvonne se uniu ao projeto Juventude Espírita. Poderia nos contar como se dá esse trabalho?
A união com o projeto Juventude Espírita fortaleceu ainda mais o sentido de coletividade. É um trabalho de parceria, onde todos se ajudam na divulgação, na criação de conteúdos e no fortalecimento do movimento espírita jovem, sem disputas, mas com soma de esforços.
Sabemos da dificuldade que projetos espíritas enfrentam quanto à mão de obra voluntária, ainda mais aqueles que possuem jovens à frente. Qual o maior desafio encontrado até então?
Sem dúvida, a disponibilidade de tempo. Vivemos uma rotina intensa, e conciliar vida pessoal, profissional e trabalho voluntário é um desafio constante — especialmente quando falamos de juventude.
Que resultados mais positivos têm alcançado desta fusão?
A produção de conteúdo de qualidade, tanto para jovens quanto para educadores espíritas. Ampliamos o alcance, diversificamos linguagens e fortalecemos o diálogo entre gerações.
Existem inúmeros desafios quanto ao interesse dos jovens para tarefas religiosas de modo geral. Comente sobre isso.
Acredito que não seja desinteresse, mas muitas vezes falta de identificação. O jovem busca sentido, escuta e pertencimento. Quando a religião se fecha ao diálogo e à realidade, ela afasta. Quando acolhe, ela aproxima.
Dos três aspectos do Espiritismo – científico, filosófico e religioso, qual é o que mais lhe agrada?
Vejo os três como indissociáveis, mas tenho um carinho especial pelo aspecto filosófico, pois ele nos convida à reflexão constante, ao autoconhecimento e à responsabilidade sobre nossas escolhas.
Em face dos problemas que a sociedade terrena está enfrentando, qual deve ser a prioridade máxima dos que dirigem atualmente o movimento espírita no Brasil e no mundo?
Humanizar. Cuidar de pessoas antes de cuidar de estruturas. Dialogar mais, julgar menos, incluir mais. O mundo pede acolhimento, escuta e coerência entre discurso e prática.
Com base em sua experiência, o que gostaria de sugerir para os trabalhadores ligados aos trabalhos da juventude espírita?
Escutem os jovens. Não tenham medo de adaptar linguagens. Valorizem o afeto, o vínculo e a vivência. Juventude não se conduz com imposição, mas com presença.
Suas palavras finais.
Acredito profundamente que educar é um ato de amor. O Jovens com Yvonne + Juventude Espírita é mais do que um projeto: é um espaço de encontro, aprendizado e cuidado mútuo. Seguimos errando, aprendendo, corrigindo rotas — mas sempre com o coração aberto e o compromisso de servir. Educar para iluminar corações, com carinho, este é o nosso propósito.

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