Doces lembranças
“Tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles... Então seus olhos se abriram e o reconheceram; ele, porém, ficou invisível diante deles... Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém...
É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!...
Falavam ainda, quando ele próprio se apresentou no meio deles e disse: A paz esteja convosco!...” (Lucas, cap. XXIV, vv. 30 a 36.)
Espiritismo, bendita doutrina de luz! Consolo, esperança e desejo de melhorar sempre, para um dia alcançar a felicidade.
Todos os dias são dias de aprendizado e crescimento. Cada dia é uma oportunidade de melhorar.
Novembro é um mês interessante. Aproxima-se dezembro, mês do Natal, de nos lembrarmos de Jesus e de reunirmos aqueles que amamos. Novembro é o mês de lembrar os que partiram. Interessante essa convenção, pois, no coração, todos os dias são dias de nos lembrarmos deles.
Feliz aquele que tem a certeza da imortalidade e do reencontro, um dia, com os entes queridos que já se foram. Foram? Não foram. Partiram por um tempo, mas o amor imortal sempre nos reúne. Muitos estão ao nosso lado; podemos sentir sua energia benfazeja e seu amparo. Podemos encontrá-los em sonhos.
Há aqueles que vêm, os que escutam e os que sentem a presença querida, o abraço e até mesmo o perfume!
Como o amor une e emociona aquele que o sente!
As boas lembranças de alguém querido nos acompanham. Geralmente, é na infância que guardamos as mais doces recordações: os avós, os tios, os velhos e bondosos professores do passado, muitos dos quais já não estão mais aqui.
Joanna de Ângelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro Após a Tempestade, diz que a morte, de maneira alguma, resolve os problemas que não foram solucionados durante a vida física. Por essa razão, pululam na economia espiritual do planeta bilhões de entidades insensatas, ignorantes e viciosas, que se comprazem na leviandade até que a dor as conduza, pelo rio das lágrimas, à embarcação do equilíbrio, rumo ao porto do progresso.
Diz ela que cada um desencarna, ou morre no corpo somático, transferindo para a realidade espiritual o patrimônio que lhe é peculiar, sem que haja concessões indevidas sob a forma de protecionismo ou punição injusta.
Cada um desencarna de acordo com o que elaborou para si mesmo por meio de seus atos, compreendendo, assim, o que Jesus nos ensinou: onde está o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração.
Nesse sentido, é muito doce lembrar os que amamos, pois deixaram em nós uma estrada de luz e amor.
Lembramos nossos entes queridos. O amor continua além da morte.
Enquanto escrevíamos estas linhas, recordamos nosso amado “Paizinho”, Hugo Gonçalves, de Cambé. Ele desencarnou no Dia dos Professores, em 15 de outubro. Costumávamos dizer que era um mestre. Amava profundamente Jesus e realizou um intenso trabalho em prol do Espiritismo no Paraná, no Brasil e no mundo. O jornal O Imortal, fundado por ele e Luiz Picinin, ultrapassava as fronteiras brasileiras, chegando até mesmo a Cuba. Certa vez, um confrade daquele país nos escreveu, agradecido, por ter recebido o jornal impresso, pois o acesso a computadores e à internet era muito difícil por lá.
Nosso paizinho viveu com uma bondade ímpar e uma imensa doçura. Quando desencarnou, estava lúcido e consciente. Enquanto seu corpo era velado no Centro Espírita Allan Kardec, em Cambé, ele se manifestou por psicofonia, por intermédio da médium Célia Xavier, de Rolândia, agradecendo aos amigos e a todos os presentes.
Que merecimento o de desencarnar assim, lúcido e consciente, como ele foi durante toda a vida! Quando já estava bem idoso, costumava brincar que, ao acordar, não sabia se ainda estava encarnado ou se já havia desencarnado. Então, tentava atravessar a parede e trombava nela, adquirindo a certeza de que ainda estava encarnado. Gostava de alegrar as pessoas e vivia sempre rodeado de amigos, de pessoas que o amavam.
Deixou saudades. No grupo de WhatsApp do Centro Espírita Allan Kardec, a presidente teve a feliz ideia de propor, no dia de sua desencarnação, que os amigos compartilhassem histórias de seu relacionamento com ele e dos aprendizados que haviam recebido. Foram muitos os relatos, todos lindos e emocionantes.
Ficamos pensando que, quando chegar a nossa vez de partir, possamos fazê-lo em paz, sem dar trabalho àqueles que nos amam e que já nos aguardam no mundo espiritual.
Que vivamos o amor todos os dias de nossa existência! Que não nos sintamos ofendidos, mas saibamos perdoar sempre. Que tenhamos boas energias, para que, ao nos aproximarmos daqueles que aqui ficaram e nos amaram, deixemos uma boa impressão e transmitamos paz.
Jesus veio até nós e nos mostrou a imortalidade. O Espiritismo tem oferecido provas nesse sentido, consolando os aflitos quando um ente querido envia sua saudação e seu amor, acompanhados de elementos de reconhecimento irrefutáveis para aqueles que o conheceram.
Novembro é, sim, o mês em que o mundo se lembra dos que partiram. Nós, porém, dizemos sempre que eles nunca partiram verdadeiramente. Estão vivos em nossas lembranças o tempo todo. Precisamos estar com eles todos os dias.
Façamos jus ao amor que recebemos, honrando nossos entes queridos com a correção de caráter, o amor ao próximo e a bendita caridade.
Um dia nos reencontraremos. Até lá, façamos por merecê-los.

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