Mãos entrelaçadas
Frisamos e repetimos muitas vezes que precisamos ser unidos e fraternos. A nação escolhida por Jesus para ser o coração do mundo e a Pátria do Evangelho necessita pacificar seu povo.
Parece que as inquietações e o nervosismo não se manifestam apenas no Brasil. A Europa também está em chamas, tocada em seus sentimentos mais profundos. Desavenças milenares e conflitos estão presentes em todo o continente. Na África, países pobres lutam pelo poder passageiro, enquanto muitos de seus habitantes passam fome.
Quando tantos se lembram de Jesus e de seus ensinamentos, mais do que nunca é o momento de vivenciá-los.
No capítulo IX de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos”, encontramos, no item “Injúrias e violências”, as máximas de Jesus extraídas do Evangelho de Mateus, capítulo V. Nelas, o Mestre ensina que bem-aventurados são os brandos, porque possuirão a Terra, e os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.
Diz mais o Senhor: “Aprendestes o que foi dito aos antigos: Não matareis, e todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Mas eu vos digo que todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser ao seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: Sois louco, merecerá ser condenado ao fogo do inferno”.
Nestes últimos tempos, temos presenciado tanto manifestações de violência quanto exemplos de civilidade. O amor é o destino de todos e, pelas palavras de Jesus, percebemos que, ao despertar a consciência, o Espírito se sente culpado, julgando e condenando a si mesmo. O que dizer daqueles que, além de recorrerem às palavras ofensivas, partem para as agressões físicas e travam combates, ora no seio da família, ora contra seus compatriotas, ora contra outros povos?
É possível perceber o primitivismo daqueles que ainda agem dessa maneira. Um observador atento lamenta esse comportamento infeliz. Pobre daquele que escandaliza seus irmãos!
Estamos presenciando crimes que ferem a todos, pois formamos uma rede de relações interligadas, na qual o que acontece com um repercute nos demais.
Somente a fraternidade, quando as mãos se entrelaçarem em mútua ajuda, poderá redimir o coração humano.
No livro Fonte Viva, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, encontramos, no capítulo intitulado “Necessidade do bem”, a recomendação de que nunca é demais repetir a necessidade do perdão, da bondade e do otimismo em nossas fileiras e atividades.
Lembremo-nos de que, com o nosso auxílio, tudo hoje pode ser melhor do que ontem, e tudo amanhã será melhor do que hoje.
O mal, em qualquer circunstância, é desarmonia diante da lei, e todo desequilíbrio resulta em dificuldade e sofrimento.
Examinemo-nos mutuamente, acendendo a luz da fraternidade para que ela ilumine nossos destinos.
Sem perseverança no bem, não há caminho para a felicidade. Por isso mesmo, recomendou-nos o apóstolo Paulo: “E consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos à caridade e às boas obras”, porque somente seguindo essa diretriz estaremos contribuindo para a construção do reino do amor.
Os brasileiros precisam unir-se, a fraternidade precisa renascer e o amor precisa crescer. Cuidemos uns dos outros. Somos irmãos.

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