O Espiritismo floresceu na Europa e continua a florescer

Queridos amigos, leitores assíduos do nosso jornal mensal espírita O Imortal, fundado em 25 de dezembro de 1953 e, desde então, ininterruptamente dedicado a levar informação, estudo, pesquisa, história e conteúdo edificante para todas as idades — um verdadeiro ponto de encontro para a família.

Sinto-me profundamente honrada por, há 20 anos, ter sido convidada por Astolfo Olegário de Oliveira Filho a integrar este jornal como cronista. Não foi por acaso que escolhi o nome Crônicas de além-mar. Naquele momento, eu atravessava o oceano, deixando o Brasil para viver em terras que me acolheram — e continuam a me acolher — com generosidade. Hoje, como cidadã britânica residente em Londres, trago comigo a alegria de pertencer a dois mundos que, em essência, se encontram.

A cada edição, preparo minha escrita com carinho, buscando compartilhar vivências, reflexões e pequenas descobertas — muitas vezes nascidas destas terras europeias, outras vindas de além de suas fronteiras. São fragmentos de experiências que desejo dividir com vocês, na esperança de que também lhes tragam alguma inspiração.

Neste mês de junho, trago uma lembrança especial.

No dia 5 de maio, celebramos o aniversário de Divaldo Franco, cuja trajetória é amplamente conhecida e acompanhada por muitos de nossos leitores. Sua vida, marcada pela dedicação ao bem, ecoa como exemplo de perseverança e serviço.

E o tempo nos convida a olhar adiante: em maio de 2027, será realizado no Brasil um grande congresso em comemoração dos seus 100 anos de vida. Terei a alegria de estar presente e compartilho, com emoção, que um livro de minha autoria será publicado em sua homenagem.

Esses momentos nos permitem entrelaçar passado, presente e futuro — como fios de uma mesma tessitura espiritual que nos sustenta e inspira.

Mas não é apenas o congresso que me move a escrever. É, sobretudo, a grandiosidade da tarefa desenvolvida por Divaldo Franco fora do Brasil, cuja atuação nos remete à coragem missionária de Paulo de Tarso. Ao longo de décadas, ele percorreu países, culturas e realidades distintas, levando sua palavra, seu carisma e sua sensibilidade a públicos diversos, muitas vezes fora do meio espírita.

Por onde passou, não impôs — convidou. Não exigiu — esclareceu.

Semeou ideias, despertou consciências e abriu caminhos para o surgimento de novos grupos espíritas em terras onde, inicialmente, havia apenas pequenos núcleos. Recordo, por exemplo, sua presença na Suécia, diante de um grupo reduzido — a família Bergman e poucos outros — e, ainda assim, falou como se estivesse diante de uma multidão. E, de certo modo, estava, pois sabemos que nunca estamos sós: somos sempre acompanhados por testemunhas invisíveis que compartilham do mesmo ideal.

Imaginar um ambiente em que sua presença irradia serenidade, firmeza e alegria é perceber como sua voz alcança não apenas os ouvidos, mas também as consciências. Uma voz que ecoa, por vezes, nos desertos íntimos daqueles que ainda não tiveram contato com o Espiritismo — não para impor, mas para iluminar.

Porque, em essência, não se trata de converter, mas de convidar à vivência do bem. A moral do Cristo é universal — pertence à humanidade, acima de qualquer rótulo ou estrutura religiosa.

Na Europa, muitas vezes, a abordagem do Espiritismo encontra melhor acolhimento quando apresentada como campo de estudo, como ciência da alma, como reflexão sobre a continuidade da vida. E é nesse diálogo aberto que novas possibilidades surgem.

Sinto-me, assim, profundamente grata por caminhar com vocês ao longo desses anos. Este espaço é também um convite: escrevam, sugiram temas, compartilhem suas percepções. O diálogo nos enriquece.

Semear fora do Brasil nem sempre é tarefa fácil. Muitas vezes, o solo ainda se apresenta árido, pouco familiarizado com as ideias espíritas. Mas é justamente nesse terreno que o trabalho se torna mais significativo. E os frutos já são visíveis.

Na Estônia, os espíritas são estonianos. Na Bielorrússia, são bielorrussos. Na Bélgica, em sua maioria, são nativos. Em Portugal e na França, o mesmo se observa. O Espiritismo cria raízes locais, adaptando-se, crescendo e florescendo.

Talvez em menor número, quando comparado ao Brasil, mas vivo, ativo e coerente com a realidade de cada país.

Sim, o Espiritismo floresceu na Europa. E continua a florescer.

Deixo aqui, inclusive, a recomendação de uma excelente palestra de Charles Kempf, apresentada online pelo canal GeaE — Grupo de Estudos Avançados do Espiritismo, no YouTube, no dia 22 de março, abordando, com profundidade, O Legado de Kardec para o Futuro: Atualidade, Rigor e Expansão do Pensamento Espírita — um convite à reflexão para todos nós.

E, por fim, uma lembrança essencial: cuidemos do nosso tempo. Esse recurso precioso, que muitas vezes nos escapa sem percebermos, precisa ser qualificado. Não sabemos do amanhã — seja aqui, seja além-mar.

Muito obrigada pela companhia de sempre. Um abraço fraterno, e até o próximo número.
 

Elsa Rossi, escritora espírita radicada no Reino Unido, é presidente do Allan Kardec Study Group-Centre for Spiritist Teachings e da União das Sociedades Espíritas Britânicas – BUSS.



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