Firmeza e coragem
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão.” – Paulo (I Coríntios, cap. 15; v. 58.)
Nesta época da humanidade, em que muitos estão na estrada reta do bem, sofrendo perante a ignomínia de tantos, é mister que perseveremos corajosos e resolutos, sem temor, em nossa marcha, sem vaidades inúteis e com muita renúncia. É o que nos lembram os espíritos superiores, que tanto nos honram em reuniões mediúnicas, sempre exortando os trabalhadores espíritas ao verdadeiro Cristianismo, à verdade e ao bem, à caridade constante.
Diante das adversidades e iniquidades vigentes, a caridade de muitos se esfria. Tal não deve ocorrer com aquele que foi despertado em sua consciência para o bem, o belo, o nobre, o amor, embora a grande maioria de nós, neste mundo de provações, ainda sejamos aprendizes dessas virtudes.
Os que agem no bem precisam aprofundar-se nessas ações e continuar destemidos, com paciência, na transformação de si mesmos até a vitória completa do bem na Terra. Falta muito. Quando vemos injustiças triunfando sobre o que deveria ser o correto, as pessoas esquecendo-se das orientações de Jesus, de que devemos fazer aos outros o que desejamos para nós mesmos, perguntamo-nos, com sinceridade, quando o amor e o bem reinarão no planeta.
Pelo que observamos, será necessária uma construção incessante desses sentimentos, portas adentro de cada um, para que vivencie o que está inscrito em si, das leis divinas, na consciência.
Infeliz deve ser aquele que zomba ou tripudia do sofrimento do próximo! Tem muito o que aprender com Jesus. A piedade é a virtude que mais aproxima os homens dos anjos, diz-nos o espírito de Michel no cap. XIII d’ O Evangelho Segundo o Espiritismo. O nosso coração, diz-nos ele, deve se enternecer diante das misérias e dos sofrimentos dos nossos semelhantes. Não importa quem sejam ou o que fizeram. Uma lástima quando a pessoa se compraz com o sofrimento de outrem: isso revela sua pequenez moral.
Comenta Michel que a piedade bem sentida é amor; que o amor é devotamento; o devotamento é o esquecimento de si mesmo; e esse esquecimento, essa abnegação em favor dos infelizes, é a virtude por excelência, a que o Divino Mestre praticou e ensinou em toda a sua vida.
Precisamos ter maior compaixão para com as dores alheias. Elas estão crescentes e até chegarmos ao tão desejado mundo de regeneração é muito provável que aumentem, para que a bondade humana desperte com maior rapidez.
Temos de ser realistas. Ainda precisamos amar muito mais, agir mais intensamente no bem e sobretudo mantermos nossa fé, a caridade operante, sem nos deixarmos abater pelas adversidades.
Estava verificando um fato histórico que ocorreu há tantos séculos, no início do Cristianismo, mas que denota uma coragem e uma firmeza tão grande nos princípios e no que é correto, quando os homens preferiram sofrer as iniquidades do que ferir sua consciência. Nesta hora planetária, vamos recordar para o nosso engrandecimento o seu exemplo, que precisa ser lembrado. Precisamos honrar o que sabemos em nossa consciência. Falamos da Legião Tebana, comandada pelo general Maurício, que se tornou o São Maurício da Igreja Católica.
Essa lendária legião do exército romano era de Tebas, Egito, composta da mais alta elite dos soldados romanos e considerada uma das melhores de Roma. Era composta por 6.000 homens, inteiramente por cristãos. Quando precisavam dela, ela se deslocava de Tebas para onde fosse chamada a fim de implantar a ordem. Por volta de 286 d.C., o imperador Maximiano a convocou. Estavam na Gália, para onde seguiram para reprimir uma revolta. Mas, uma vez ali, seus soldados recusaram-se a fazer os sacrifícios ao imperador e aos deuses romanos antes do combate. Não queriam ferir sua consciência, pois eram cristãos. E então, por desobedecerem às ordens, foram todos mortos, preferindo morrer a fazer o que julgavam errado. Alguns dizem que essa legião pode ter sido fundada 10 anos depois, por Diocleciano, um dos maiores perseguidores dos cristãos, e que se recusara a matar cristãos e a adorar o imperador e os deuses romanos.
Seja como for, apesar das discrepâncias históricas, ela ficou famosa como a Legião Tebana, liderada por Maurício, que era respeitado e amado por seus soldados, levados à morte por causa de sua opinião contrária à do imperador. Firmes e corajosos até o fim, pois o modo como foram mortos, em grupos de 600 de cada vez, na frente de todos os outros, que eram seus amigos e companheiros, foi utilizado para intimidar e amedrontar os demais. Mas eles não se abateram moralmente. Permaneceram. Foram abatidos nos corpos, mas com a consciência limpa.
Hoje, tantos séculos depois, nada mais de sacrifícios como no passado. Agora, o sacrifício é conosco mesmo. Vivenciar o que aprendemos com Jesus. Ficarmos firmes e corajosos, nas horas dolorosas que observamos, para o engrandecimento da humanidade, na certeza de que as dores são possíveis de serem vividas e menos dolorosas do que eram tanto tempo atrás.
Um fardo pesado não é dado a um ombro frágil, como nos disse Jesus.
O momento requer vigilância, oração e trabalho no bem. Esse é o modo de nos precatarmos contra o mal. Nunca desistir! Perseverar com coragem até o final! Jesus, por certo, assiste os seus, não importa onde estejam e que religião professem, se seguem seus ensinamentos.
Permaneçamos firmes e corajosos, isso será necessário para cada um de nós que veneramos Jesus.

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