Juventude, raízes e o futuro do Espiritismo

Caros irmãos e irmãs, queridos leitores do nosso jornal O Imortal. Desta vez, preparei uma crônica um pouco diferente, especialmente para este mês de setembro.

Aqui na Europa, em conjunto com a nossa Federativa Britânica, estamos a desenvolver encontros e palestras com jovens — jovens universitários de 20, 22 anos — que levam, de jovem para jovem, a mensagem moral do Cristo. Ou, como gosto de dizer, a moral dos universos.

Jesus em nenhum momento afirmou que a sua moral pertencia a um grupo exclusivo. Ao contrário, trouxe uma mensagem universal, acessível a todos, capaz de ser vivida e transformada por qualquer pessoa, independentemente de crença. Antes dele, outros também trouxeram luzes semelhantes. E é essa continuidade que torna a moral espiritual tão rica e abrangente.

Hoje, esses jovens reúnem-se por meio de grupos de WhatsApp. Estudam, partilham, refletem. Temos participantes da Inglaterra, França, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Brasil — uma verdadeira rede de fraternidade juvenil que ultrapassa fronteiras.

E é com grande alegria que anunciamos: neste mês de setembro realizaremos o primeiro encontro da Juventude Espírita Europeia, na Bélgica, na região de Liège, no castelo de Wegimont. Todos são convidados — naturalmente, mediante inscrição. O valor, para três noites, é bastante acessível, permitindo que mais jovens possam participar.

Mas o mais importante não é o evento em si. O essencial é aquilo que estamos a construir para o futuro do movimento espírita.

Se não plantarmos hoje uma árvore com raízes firmes, ela não crescerá forte. Não florescerá. Não dará frutos. Precisamos cuidar da educação espiritual dos nossos jovens e das nossas crianças — não com imposições, mas com sensibilidade e criatividade.

Às vezes, um piquenique. Outras vezes, um passeio por uma cidade histórica. Um momento de convivência, de diálogo, de descoberta.

O importante não é o rótulo. É a transformação interior.

Dentro do movimento espírita no Reino Unido, por exemplo, encontramos pessoas de diferentes origens religiosas. Há muçulmanos que estudam O Livro dos Espíritos, que acompanham obras de André Luiz, que participam de reflexões profundas sobre espiritualidade.

Isso nos mostra algo essencial: não são apenas aqueles que frequentam uma casa espírita que podem vivenciar os princípios espíritas. E, mais ainda, o rótulo pouco significa diante da essência. O que importa é o conteúdo — não a forma.

Como bem nos recorda nosso amigo Charles Kempf, o Espiritismo é um verdadeiro Body of Knowledge — um Corpo de Conhecimento. Ele dialoga com a ciência, com a filosofia, com a religião, integrando-se à espiritualidade e trazendo a moral do Cristo de forma universal, sem barreiras.

É essa compreensão que tem orientado também o meu trabalho.

Tenho buscado levar o Espiritismo para além das paredes das casas espíritas — com respeito, dignidade e responsabilidade. Assim foi na Grécia, em maio, ao falar para grupos espiritualistas e, mais recentemente, em junho, na Coreia do Sul, em Seul, dentro de uma universidade.

Essas experiências enchem o coração. Quando falamos apenas entre nós, por vezes surgem divergências naturais. Mas, ao levarmos o conhecimento espírita para fora, com abertura e respeito, encontramos pontes — e não barreiras.

Baseamo-nos nas obras de Allan Kardec, e também nos ensinamentos de autores espirituais como André Luiz e Emmanuel, psicografados por Chico Xavier, que nos oferecem sustentação segura para o estudo e a prática.

E é assim, trabalhando com os jovens e expandindo o Espiritismo para além dos seus espaços tradicionais, que sinto uma profunda alegria no coração — aqui, onde me encontro, em terras de além-mar.


Elsa Rossi, escritora espírita radicada no Reino Unido, é presidente do Allan Kardec Study Group-Centre for Spiritist Teachings e da União das Sociedades Espíritas Britânicas – BUSS.



Comentário

0 Comentários