Oportunidade perdida

Conta-se que havia um homem simples e humilde que vivia feliz com sua família, trabalhando a terra.

Os labores do campo eram cansativos, mas ele vivia satisfeito. Nada lhe faltava, e em sua casa havia paz e entendimento. Os dois filhos auxiliavam-no no trato da terra, e a filha, já mocinha, ajudava a mãe nos serviços domésticos.

Mas um dia o lavrador começou a demonstrar cansaço pela vida que levava e a desejar algo mais.

Pedia a Deus que lhe desse uma vida mais fácil, riquezas e propriedades. Queria poder e glória. Almejava uma existência mais farta e tranquila para seus filhos e, depois de tanto trabalho, achava que merecia uma vida melhor.

Depois de muito suplicar, o Pai Celestial ouviu suas preces, e sua vida começou a mudar.

Após alguns negócios felizes e situações que o favoreceram, em pouco tempo estava rico. Comprou propriedades, mudou-se para uma residência confortável e luxuosa, e o dinheiro foi sendo acumulado: joias e riquezas, entre festas e divertimentos.

Sua família exigia sempre mais. Os filhos, antes acostumados ao labor rude do campo, logo esqueceram as lições recebidas, mergulhando nos vícios e dissipações, favorecidos pelo ouro fácil.

A filha — antes dócil e meiga menina — transformou-se numa boneca de sociedade, cedo se envolvendo com companhias desaconselháveis e passando a levar uma vida livre e desregrada.

A esposa desinteressara-se dos problemas da casa e há muito esquecera o respeito à família e o aconchego do lar, manchando-lhe o nome honrado.

Com a passagem dos anos, vieram a enfermidade e a velhice. Sentindo-se só, o antigo lavrador começou a se lembrar, com saudade e pesar, cada vez com mais frequência, dos tempos duros de outrora. Saudade dolorosa do doce convívio doméstico, das alegrias puras e da felicidade sem jaça, apesar da humildade e da pobreza.

Orou ao Pai Celeste, suplicando, em lágrimas, que lhe permitisse voltar ao passado, quando fora tão feliz. Tudo o que ambicionara e tudo por que lutara nada eram, comparados ao que perdera.

Deus, Pai amoroso e compassivo, apiedou-se dele, atendendo-lhe às súplicas.

Como resultado, em pouco tempo perdeu quase tudo, por meio de negócios infelizes, de empregados desonestos e pela ação da natureza, frustrando-se safras que julgara certas. A família, acostumada ao luxo e temendo a pobreza, abandonou-o.

Só, pobre e doente, o lavrador voltou para aquela pequena propriedade no campo, único bem que lhe restara.

No entanto, a situação não era a mesma. Já não tinha os familiares a seu lado, estava velho e cansado para lavrar a terra, e a enfermidade o prendia ao leito, propiciando-lhe tempo para meditação.

Algum tempo depois, o lavrador deixou a Terra, retornando à Pátria Espiritual, só e abandonado por todos, lamentando a oportunidade perdida.

Também assim acontece conosco, muitas vezes.

Temos tudo o que necessitamos para executar nossas tarefas e sermos felizes; porém, em busca de sonhos e ilusões passageiras, perdemos a preciosa oportunidade que nos foi dada.

Deus, que é Pai amoroso e bom, saberá sempre nos conceder novas chances, mas não sabemos em que circunstâncias.

Como o lavrador arrependido, também nós teremos outras oportunidades, mas as condições serão diferentes, talvez bem piores.

Aproveitemos o momento que surge, sabendo que estamos sempre na situação e no momento ideais para o nosso Espírito.

Tia Célia



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