Sempre amor

“... Amareis o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito. Eis aí o maior e o primeiro mandamento. Eis o segundo, que é semelhante a este: amareis vosso próximo como a vós mesmos...” (Jesus. Mateus, cap. XXII, vv. 34 a 40.)

Não nos cansamos de repetir as palavras do Espírito de Lázaro, contidas em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XI, no texto intitulado “A Lei de Amor”. Nele, ele nos diz que o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado.

Nascidos para amar, aos poucos vamos desenvolvendo esse sentimento, que é o que nos deixa felizes. Feliz aquele que ama, diz Lázaro, porque não conhece nem a angústia da alma nem a miséria do corpo. Seus pés são leves e vive como que transportado para fora de si mesmo.

Cada vez mais somos levados a compreender que quem verdadeiramente ama seus irmãos, consanguíneos ou não, é mais feliz do que aquele que lhes é indiferente.

O amor move as almas e leva às mais sublimes renúncias e aos mais intensos sacrifícios em benefício do ser amado.

Temos visto mães maravilhosas dando suas vidas por amor aos filhos, assim como pais, avós e tios, fazendo o que podem para auxiliar essa geração que se inicia, com tantos auspícios de inteligência e também com muitas dificuldades a vencer. Temos visto filhas e filhos renunciando a si mesmos para cuidar de suas mães, de seus pais ou mesmo de suas irmãs.

A vida promove necessidades evolutivas que o Espírito somente percebe quando chegam.

Há poucos dias, conversávamos com uma senhora, já na idade madura. Ela cuidou de sua mãezinha até o desencarne. Contou-nos como sua mãe era bondosa, ensinando os filhos, desde cedo, a auxiliar os que sofriam mais. E ela dava o exemplo: sempre ajudando, sempre orando, uma pessoa serena. A falta que sentia da mãe, após sua desencarnação, era muito grande: não podia mais abraçá-la nem estar com ela fisicamente.

Nós lhe comentamos sobre a imortalidade da alma, dizendo que reencontraremos aqueles a quem amamos um dia, pois o amor é imortal.

Ela nos disse que acreditava firmemente nisso e contou-nos que, alguns dias antes, sonhara com sua mãe. Foi um sonho muito vívido.

Ela estava no quarto quando sua mãe apareceu. Estava muito bem, com vestes claras, e se sentou na cama. Ela disse:

— Mãe, a senhora aqui?

A mãe lhe respondeu:

— Minha filha, não tínhamos combinado que quem partisse primeiro viria dar notícias? Pois bem, aqui estou. Vim lhe dar notícias. Estou muito bem, numa cidade, minha filha! Eu não imaginava que havia cidades no mundo dos Espíritos. É uma cidade linda, cheia de luzes, com edifícios transparentes, fontes e flores. E o mais interessante é que lá todos voam!

A mãe estava feliz. Despediu-se dela, e ela acordou com a certeza de que havia sido realmente visitada por sua mãe.

Pudemos encontrar, na descrição feita pela mãe dela, uma pessoa simples, que não conhecia as obras espíritas, semelhança com as descrições do Espírito de André Luiz, por meio da psicografia de Chico Xavier, das colônias do mundo espiritual.

“Há muitas moradas na casa de meu Pai”, disse-nos Jesus. O amor de nossos corações, ou a ausência dele, nos conduzirá para onde mereçamos estar.

É preciso desenvolvermos o amor. É gratificante alguém que partiu, por amor a nós, surgir em sonhos para nos abraçar ou nos dar notícias de como está. Isso é muito mais comum do que se supõe. Ao longo de muitos anos, temos ouvido relatos de pessoas de diversos credos religiosos que passaram por essa experiência e se lembraram dela para poder contá-la.

Almas simples que no amor se destacaram aos olhos dos bons Espíritos e de Jesus, muitas vezes ignoradas no mundo, mas percebidas por Ele.

Que nos amemos uns aos outros foi o que Ele nos pediu. Que aprendamos a amar enquanto aqui estamos, neste mundo, encarnados.

Um dia, por maior que seja a prova na Terra, tanto maior amor devemos ter. E, quando chegar a hora da libertação, que possamos ser felizes como essa mãezinha que veio dar notícias à filha que cuidou tão bem dela quando velhinha.

O mundo precisa de muito amor. Que amemos mais!



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